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22 outubro 2012

Should I be Shoked?


Capitulo 2
Me espreguicei na cama e olhei pela janela. Sol. Merda. Odeio sol. Me levantei com alguma dificuldade e fui até o banheiro tomar banho. Eu demorei uns bons quarenta minutos e voltei pro quarto pra colocar uma roupa. Ainda eram dez da manhã e, sinceramente, eu odeio não ter nada pra fazer. Eu prefiro ir pro escritório, vigiar a vida de mentes doentes e perigosas, matar, bater, ou qualquer coisa do gênero.

Fui até a cozinha e peguei uma xícara de café e algumas torradas. Tomei meu café e me sentei, esperando pacientemente até a hora de ir trabalhar.

[...]

- Senhorita Blanco? - Minha secretária entrou na sala.

- Sim? - eu respondi secamente, observando o lado de fora do prédio por uma “janela” em vidro fumê, que dava uma ampla visão da cidade, já que estávamos no décimo andar.

- Ele quer falar com você. - Ela disse, segurando sua inseparável prancheta.

- Okay. Pode sair. - eu falei me arrumando na cadeira.

Ele. Era assim que todos na empresa se referiam à voz. Ele.

Apertei um botão pra receber a chamada. A voz logo se espalhou pelo cômodo.

- Blanco? - ele disse, pela primeira vez, me parecendo preocupado.

- O que te preocupa? - eu me larguei na cadeira.

- Temos um caso difícil. - ele disse.

- Não para mim. - eu falei calmamente.

- Até pra você. - ele falou ainda em tom preocupado.

- Apenas me dê as fotos e as suspeitas. Será fácil. - eu lhe disse.

- Não será tão fácil. Eu preferiria tratar isso diretamente com você. Preciso te dar algumas explicações.

- Que seja. - eu disse pegando uns papéis sobre a mesa. Alguém que eu deveria torturar mais tarde. - Mas você vai me deixar te ver?

- Não. Não precisa ser tão diretamente. - ele disse friamente. - Nos vemos amanhã.

- Certo. - eu disse desligando.

Eu continuei o dia inteiro no escritório. Não tinha nenhum “alvo” por enquanto. Eu voltei pra casa mais cedo, porque realmente, não tinha nada à minha altura pra se fazer ali. Chame-me de exibida se te faz feliz. Eu chamo de realidade.

Eu voltava pra casa no meu carro e pra minha felicidade o trânsito estava “ótimo”, ou seja, peguei engarrafamento o caminho inteiro. Deixei o carro em casa e fui obrigada a ir à padaria na esquina, já que a inútil da empregada havia adoecido no dia anterior e eu estava cuidando das minhas refeições. Ou seja, estava me alimentando de pão, ovo e água.

Já teve a sensação de estar sendo observada? Pode ser só sensação, o que ocorre muito em trabalhos como o meu, mas mesmo assim, não é uma sensação nada boa. Eu estava sentindo naquele momento.

Entrei na padaria e comecei a observar os doces. Eu ia comprar pão, mas eu cansei dessa coisa sem gosto e resolvi que comeria doces. Eu peguei uma bomba de chocolate e coloquei na cestinha onde se colocava a comida que você compraria.

- Eu não levaria isso se fosse você. - um funcionário enxerido apareceu atrás de mim.

- Ainda bem que você não sou eu. - eu lhe disse secamente.

- Uau. Já ouvi falar em mau humor, mas você... - ele falou.

- Você costuma ser sempre tão intrometido!? - eu me virei pra encarar um homem alto, de cabelos castanhos e lábios provocantes. Muito gostoso. Mas muito enxerido.

- E você costuma ser sempre tão educada? - ele perguntou sorrindo sarcástico.

- Sim. Agora se me der licença, eu vou pagar a MINHA bomba de chocolate. - eu disse me afastando e indo até o caixa. Eu esperei que algum inútil aparecesse, uma vez que o caixa estava deixado às moscas.

- Oi de novo. - ele sorriu.

- Você? Céus! Eu deveria considerar isso perseguição? - eu disse irritada.

- Considere como quiser, mas se quiser a bomba, é a mim que você tem que pagar.

- Nenhuma outra opção? - eu perguntei quase me rendendo.

- Vê outro caixa por aqui?

Eu olhei ao redor suspirando.

- Seja rápido. - eu disse lhe entregando os doces que havia escolhido.

Ele passou todos na leitura óptica, observando cada um dos MEUS doces. E sim, isso me incomoda.

- Volte sempre. - ele disse sorridente.

- Acredite, eu não voltarei. - eu disse fria.

- Sim, você vai. - ele sorriu novamente. - E você procurará Arley Adans.

- Esse é seu nome? - eu perguntei fingindo interesse.

- Sim! - ele pareceu feliz.

- É patético. Quase tanto quanto o dono. - eu sorri e virei de costas. - tchauzinho.

Eu realmente gostaria de ter virado e olhado pra cara de bunda que ele obviamente fez, mas eu não fiz isso.

- Você voltará. - eu o ouvi gritar.

Aí sim, eu virei enquanto caminhava e lhe lancei um sorriso.

- Veremos. - eu respondi antes de passar pela porta.


Continua...

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