
Capitulo 2
Me espreguicei na cama e olhei pela janela. Sol. Merda. Odeio sol. Me levantei com alguma dificuldade e fui até o banheiro tomar banho. Eu demorei uns bons quarenta minutos e voltei pro quarto pra colocar uma roupa. Ainda eram dez da manhã e, sinceramente, eu odeio não ter nada pra fazer. Eu prefiro ir pro escritório, vigiar a vida de mentes doentes e perigosas, matar, bater, ou qualquer coisa do gênero.
Fui até a cozinha e peguei uma xícara de café e algumas torradas. Tomei meu café e me sentei, esperando pacientemente até a hora de ir trabalhar.
[...]
- Senhorita Blanco? - Minha secretária entrou na sala.
- Sim? - eu respondi secamente, observando o lado de fora do prédio por uma “janela” em vidro fumê, que dava uma ampla visão da cidade, já que estávamos no décimo andar.
- Ele quer falar com você. - Ela disse, segurando sua inseparável prancheta.
- Okay. Pode sair. - eu falei me arrumando na cadeira.
Ele. Era assim que todos na empresa se referiam à voz. Ele.
Apertei um botão pra receber a chamada. A voz logo se espalhou pelo cômodo.
- Blanco? - ele disse, pela primeira vez, me parecendo preocupado.
- O que te preocupa? - eu me larguei na cadeira.
- Temos um caso difícil. - ele disse.
- Não para mim. - eu falei calmamente.
- Até pra você. - ele falou ainda em tom preocupado.
- Apenas me dê as fotos e as suspeitas. Será fácil. - eu lhe disse.
- Não será tão fácil. Eu preferiria tratar isso diretamente com você. Preciso te dar algumas explicações.
- Que seja. - eu disse pegando uns papéis sobre a mesa. Alguém que eu deveria torturar mais tarde. - Mas você vai me deixar te ver?
- Não. Não precisa ser tão diretamente. - ele disse friamente. - Nos vemos amanhã.
- Certo. - eu disse desligando.
Eu continuei o dia inteiro no escritório. Não tinha nenhum “alvo” por enquanto. Eu voltei pra casa mais cedo, porque realmente, não tinha nada à minha altura pra se fazer ali. Chame-me de exibida se te faz feliz. Eu chamo de realidade.
Eu voltava pra casa no meu carro e pra minha felicidade o trânsito estava “ótimo”, ou seja, peguei engarrafamento o caminho inteiro. Deixei o carro em casa e fui obrigada a ir à padaria na esquina, já que a inútil da empregada havia adoecido no dia anterior e eu estava cuidando das minhas refeições. Ou seja, estava me alimentando de pão, ovo e água.
Já teve a sensação de estar sendo observada? Pode ser só sensação, o que ocorre muito em trabalhos como o meu, mas mesmo assim, não é uma sensação nada boa. Eu estava sentindo naquele momento.
Entrei na padaria e comecei a observar os doces. Eu ia comprar pão, mas eu cansei dessa coisa sem gosto e resolvi que comeria doces. Eu peguei uma bomba de chocolate e coloquei na cestinha onde se colocava a comida que você compraria.
- Eu não levaria isso se fosse você. - um funcionário enxerido apareceu atrás de mim.
- Ainda bem que você não sou eu. - eu lhe disse secamente.
- Uau. Já ouvi falar em mau humor, mas você... - ele falou.
- Você costuma ser sempre tão intrometido!? - eu me virei pra encarar um homem alto, de cabelos castanhos e lábios provocantes. Muito gostoso. Mas muito enxerido.
- E você costuma ser sempre tão educada? - ele perguntou sorrindo sarcástico.
- Sim. Agora se me der licença, eu vou pagar a MINHA bomba de chocolate. - eu disse me afastando e indo até o caixa. Eu esperei que algum inútil aparecesse, uma vez que o caixa estava deixado às moscas.
- Oi de novo. - ele sorriu.
- Você? Céus! Eu deveria considerar isso perseguição? - eu disse irritada.
- Considere como quiser, mas se quiser a bomba, é a mim que você tem que pagar.
- Nenhuma outra opção? - eu perguntei quase me rendendo.
- Vê outro caixa por aqui?
Eu olhei ao redor suspirando.
- Seja rápido. - eu disse lhe entregando os doces que havia escolhido.
Ele passou todos na leitura óptica, observando cada um dos MEUS doces. E sim, isso me incomoda.
- Volte sempre. - ele disse sorridente.
- Acredite, eu não voltarei. - eu disse fria.
- Sim, você vai. - ele sorriu novamente. - E você procurará Arley Adans.
- Esse é seu nome? - eu perguntei fingindo interesse.
- Sim! - ele pareceu feliz.
- É patético. Quase tanto quanto o dono. - eu sorri e virei de costas. - tchauzinho.
Eu realmente gostaria de ter virado e olhado pra cara de bunda que ele obviamente fez, mas eu não fiz isso.
- Você voltará. - eu o ouvi gritar.
Aí sim, eu virei enquanto caminhava e lhe lancei um sorriso.
- Veremos. - eu respondi antes de passar pela porta.
Continua...
Nenhum comentário:
Postar um comentário