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02 setembro 2012

LuAr Biology


Capitulo 14 e 15
Capitulo 14

- Por que você demorou tanto pra sair da escola ontem? – Sophia perguntou, batendo o pé junto com a bateria da música enquanto ouvíamos música no volume máximo do meu iPod. 
- Cheguei atrasada na aula do Aguiar e não consegui terminar de copiar o relatório antes do sinal tocar – respondi, disfarçando um sorriso maligno – Você sabe que eu tenho problemas pra decifrar a caligrafia dos professores.
Estávamos sentadas no chão do pátio do colégio, de frente pra porta por onde entraríamos logo e começaríamos mais um dia de aula. Faltavam apenas dez minutos pra que o sinal tocasse e as portas das classes fossem abertas, mas ainda assim a escola estava praticamente deserta.
Olhei na direção da rua, refletindo sobre o dia anterior enquanto Sophia falava alguma coisa sobre a prova de química. Como duas pessoas podiam influenciar tanto meu humor de formas tão diferentes? Primeiro o sr. Borges, todo carinhoso, perfeito e maravilhoso. Depois, o sr. Aguiar, totalmente idiota, ridículo e frouxo. E o mais curioso de tudo, eles eram amigos! Essa vai pra minha lista de mistérios da humanidade que eu adoraria desvendar.
Enquanto observava os poucos carros que passavam em frente à escola, um suéter verde musgo ambulante chamou minha atenção. Ergui meu olhar na direção do rosto da pessoa que caminhava escola adentro, e me deparei com um par de olhos pretos me olhando. Sorri de leve, doida pra agarrá-lo ali mesmo como sempre. Aquela blusa verde era um clássico no guarda-roupa dele, todas as vezes que eu o via usando aquele suéter, era tentação na certa. Deus, eu realmente amava cada detalhe naquele homem.
- Bom dia, meninas – o sr. Borges sorriu ao passar por nós, carregando mil pastas cheias de papéis e uma mochila que provavelmente continha mais pastas iguais às outras. Tenho certeza de que Sophia não notou nada de especial naquele sorriso, mas eu o vi de um jeito totalmente diferente.
- Bom dia, professor – respondemos, em uníssono, o que só fez aquele sorriso aumentar. O sr. Borges continuou a andar normalmente em direção à sala dos professores, e eu o segui com o olhar disfarçadamente. Oi, como você consegue ser tão gostoso aos 30 anos de idade? Não posso esquecer de perguntar isso a ele um dia.
- Você tem razão – Sophia disse, e eu mais que depressa parei de secar o sr. Borges para olhá-la. Fiz cara de pastel de vento e ela completou a frase – Ele é lindo demais.
Não deu pra não rir daquele comentário, ainda mais com os recentes acontecimentos.
- Pois é, minha cara – suspirei, assentindo devagar – Ele é simplesmente perfeito.
Sophia também suspirou e começou a observar a rua vagamente. Sem vergonha, logo voltei a encarar o sr. Borges, que havia parado em frente à sala dos professores pra conversar com uma coisa loura, alta e magra que atendia pelo nome de Juju . Eu ainda acertava minhas contas com aquela lambisgóia oxigenada um dia, pode apostar.
- Segura a emoção aí, Roberta – ouvi Sophia rir disfarçadamente, abaixando seu olhar pra disfarçar ainda mais o riso – Sua alma gêmea tá chegando.
Franzi a testa, sem entender, e me virei na direção da saída do colégio. Dei de cara com o professor Aguiar chegando, com a maior cara de sono e os cabelos despenteados de um jeito proposital. E atraente, pro meu desgosto.
- Não sei por que eu fui olhar, eu já devia saber que era ele – resmunguei, revirando os olhos e olhando rapidamente pra porta da sala dos professores, agora sem ninguém ao seu redor. Beleza, o sr. Borges e a srta. Juju já deviam estar no banheiro mais próximo dando sua rapidinha matinal. E eu ali, perdendo meu tempo observando o contorno dos ombros do sr.Aguiar, realçados pela blusa pólo azul marinho que ele usava.
Espera aí. Credo, que nojo! Por que eu agora estava com a péssima mania de ficar observando os detalhes daquele verme? Tudo bem que eu adoro ombros masculinos (não só ombros, mas isso não vem ao caso), mas ficar olhando os do Aguiar já era desespero demais! Nota mental: evitar encarar qualquer parte do corpo daquele exu. 

Capitulo 15

- Nem bom dia ele dá – Sophia comentou, medindo-o de cima a baixo quando ele já tinha passado por nós – Dá pra entender totalmente por que você o odeia tanto. 
- Eu odiá-lo tanto tá beleza, agora ele me odiar também é péssimo pra minha nota – bufei, fazendo uma careta – Mas eu não ligo, prefiro ir mal a ter qualquer tipo de simpatia com esse crápula.
- Fala, Aguiar – ouvi uma voz conhecida dizer, e vi o sr. Borges surgir do nada com a srta. Juju.
- Oi, Mica – o sr. Aguiar resmungou, parecendo indisposto. Provavelmente tinha comido alguma aluna do primeiro ano e como ela não devia saber nem beijar, não foi bom e ele ficou de mau humor. Idiota, quem ele pensava que era pra chamá-lo de Mica? Ele não merecia aquela intimidade toda!
- Não esqueceu o futebol com o terceiro ano depois da aula, né? – Mica (se o Aguiar podia, eu também podia) perguntou, como se já previsse a careta que o amigo fez.
- Totalmente – ele respondeu, batendo com a palma da mão na própria testa – Se bem que eu não ia jogar de qualquer jeito, não dormi nada essa noite.
Os dois entraram na sala dos professores rindo, e não deu pra ouvir mais nada. O sinal tocou, e logo eu e Sophia subimos, ainda comentando sobre o belo físico do professor Borges. Bem que eu quis contar tudo pra ela, mas fiquei com medo e achei melhor as coisas se firmarem um pouco mais. Por mim, eu casava com ele sem pensar duas vezes, mas eu acho que uma proposta de casamento seria um pouco assustadora pra ele.
As duas primeiras aulas se arrastaram lentamente, sem muitas novidades. Dei graças a Deus quando a professora de física saiu da classe. Aulas duplas me entediavam demais, fato. Nosso professor de história logo chegou e como era dia de prova, já foi entregando as avaliações para os alunos. Beleza, só questões de múltipla escolha, ia ser fácil. O legal do sr. Guto era que ele facilitava as coisas no primeiro bimestre e ia dificultando conforme o tempo passava, nos dando a oportunidade de já passarmos de ano sem precisarmos estudar muito a parte mais difícil da matéria. Afinal, quem em sã consciência leva os estudos a sério no quarto bimestre se já fechou no terceiro? É, até que o sr. Guto era legalzinho, se não usasse tantas palavras difíceis e transpirasse menos.
Em menos de dez minutos eu terminei a prova, com a certeza de que tinha ido bem. Todo mundo ia bem nas provas dele, porque ele praticamente colocava as respostas no enunciado da pergunta. Sem a mínima vontade de ficar sentada por mais de meia hora naquela classe, pedi pra ir ao banheiro, pra ver se o tempo passava mais rápido, e o professor apenas assentiu pra mim, atento aos alunos do fundo que não se cansavam de pedir e passar cola. Bando de burros, francamente.
Caminhei lentamente pelo corredor na direção do banheiro, soltando um bocejo e me espreguiçando preguiçosamente. Passei pela classe de Sophia, que estava com a porta fechada, e pela classe ao lado da dela, que estava aberta, mas vazia.
- Ei, Messi – ouvi alguém sussurrar assim que entrei no banheiro, e coloquei a cabeça pra fora pra ver quem era. Uma coisa verde e sexy parada na porta do banheiro masculino, que ficava logo ao lado do feminino, sorria pra mim, fazendo meu coração acelerar. Homens como o sr. Borges não podiam aparecer assim de repente, era beleza demais pra se assimilar tão depressa. 



Continua...

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